
Situação
em Aracruz pode ficar tensa se a justiça não devolver as
terras roubadas pela Aracruz Celulose das comunidades
indígenas/quilombolas.
Tome uma atitude, envie uma carta pelos correios, ou internet, abaixo
tem uma modelo. Copie e coloque seu nome. Não demora 30 segundos.
Neste final de semana deve ter uma vigília no local. Vamos
participar. Breve mais informações.
CARTA ABERTA DA
COMISSÃO DE CACIQUES E LIDERANÇAS TUPINIKIM E GUARANI AO
MINISTRO DA JUSTIÇA MÁRCIO THOMAZ BASTOS
Aracruz, 17 de maio de 2005
Exmo. Senhor Ministro da Justiça,
A Comissão de Caciques e
Lideranças Tupinikim e Guarani vem manifestar o seguinte em
relação à luta dos nossos povos pela
demarcação integral das nossas terras:
1.
Em
1997, a FUNAI, através do Grupo Técnico 0783 de 1994,
identificou 18.071 hectares como terras tradicionalmente ocupadas por
nós, Tupinikim e Guarani. A complementação
solicitada pelo ex-Ministro da Justiça Íris Rezende, bem
como o relatório do Grupo Técnico 087 de 1998,
confirmaram as conclusões do GT 0783/94.
Na certeza da legitimidade e validade dos
estudos do GT, e convencidos de que os 18.070 hectares de terras
é direito dos povos Tupinikim e Guarani, tomamos a
decisão de iniciar, no dia de hoje, a
auto-demarcação das nossas terras.
Com este ato, queremos expressar para o Sr. e
para todo o povo brasileiro, que as terras pertencem aos povos Tupinikim e
Guarani, e devem ser devolvidas para
construirmos o nosso próprio futuro, garantindo nossa liberdade
e autonomia, e o futuro dos nossos filhos e netos.
500 anos atrás cortaram as
árvores que representam os povos e culturas indígenas;
hoje, com nossa luta, voltam a brotar com força as raízes
indígenas no Espírito Santo. Confiamos que o Exmo. Sr.
decida, nos próximos dias, a favor do nosso direito, um direito
garantido na própria constituição e que deve ser
cumprido.
Queremos solicitar, a pedido da Comissão
de caciques e lideranças Tupinikim e Guarani, sua
colaboração para apoiar a luta dos povos indígenas
Tupinikim e Guarani, no Espírito Santo, que tem como objetivo
garantir a demarcação de 18.070 hectares de terras para
estes povos. Destes 18.070 hectares, apenas 7.061 hectares foram
demarcadas e homologadas em 1998, através
de uma portaria inconstitucional, assinada pelo ex-Ministro da
Justiça Íris Rezende sob pressão do poder
econômico da Aracruz Celulose. Com isso, 11.009 hectares de
terras indígenas continuam desde 1998 no poder desta empresa,
maior produtor do mundo de celulose de eucalipto.
Estamos solicitando que você mande uma
carta ou envie um fax ao Ministro da Justiça Márcio
Thomaz Bastos, que
recebeu do Ministério Público Federal do ES,
através do Procurador Geral da República Cláudio
Fonteles, uma recomendação para editar novas portarias
que garantam a demarcação de toda a área
indígena Tupinikim e Guarani no ES, totalizando 18.070 hectares.
Pedido urgente:
Solicitamos também que você envie
um fax para a Justiça Federal e a Polícia Federal no
Espírito Santo, para prevenir uma intervenção
policial que possa parar a auto-demarcação.
Seguem modelos de cartas/fax abaixo.
Já foi enviada para você uma
edição especial do Boletim da Rede Alerta contra o
Deserto Verde sobre a questão indígena com mais
informações.
Por favor, divulgue esta
informação para suas organizações,
movimentos e redes!
Carta modelo para ser
enviado ao Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos:
Exmo. Sr. Ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos
Esplanada dos Ministérios, Bloco T,
Ministério da Justiça, 4º. Andar
CEP 70064.900- Brasilia- DF
Brazil
Fax +55 61 2244784
Prezado Sr. Ministro,
Através desta, queremos expressar nosso
apoio à luta dos povos indígenas Tupinikim e Guarani no
Espírito Santo pela demarcação das suas terras,
invadidas no passado pela empresa Aracruz Celulose. São 18.070
hectares de terras indígenas a serem demarcadas, conforme laudos
antropológicos dos GTs 0783/94 e 087/98.
Os direitos dos povos indígenas sobre
suas terras são garantidos na Constituição
brasileira e também por diversos tratados e
convenções como a Convenção 169 da OIT.
Mesmo assim, o ex-Ministro da Justiça, Íris Rezende,
não garantiu este direito no caso dos Tupinikim e Guarani e
demarcou, em 1998, de forma
inconstitucional, apenas 7.061 hectares, deixando 11.009 hectares em
mãos da Aracruz Celulose, desconsiderando os estudos conclusivos
dos GTs da FUNAI.
Damos total apoio à luta legítima
dos Tupinikim e Guarani e solicitamos ao Senhor que atenda as
recomendações feitas pelo Ministério
Público Federal no sentido de editar novos atos de
reconhecimento das terras indígenas Tupinikim e Guarani no
Espírito Santo, totalizando 18.070 hectares, conforme as
conclusões dos GTs 0783/94 e 087/98 da FUNAI.
Atenciosamente,
Sr. Superintendente da Polícia Federal
Geraldo Antônio Dias Guimarães –
DPF
FAX: +55 27 33318030
Justiça Federal de 1a. Instância
de Vitória (ES)
Juiz Federal Mr. Ronald Kruger Rodor
FAX: +55 27 33314090
Correio eletrônico: cs.sres@dpf.gov.br
Tomamos conhecimento da ação
judicial da empresa Aracruz Celulose (ação
2005.50.01.004524-1) contra a FUNAI em reação à
ação de auto-demarcação dos
indígenas Tupinikim e Guarani de 18,070 hectares de terras
indígenas.
Queremos solicitar seu apoio para a
auto-demarcação dos Tupinikim e Guarani e alertar
os senhores que a ação dos indígenas é
legítima. O objetivo é garantir que esses 18,070 hectares
de terras Tupinikim e Guarani, já reconhecidas como tais em
conclusivos estudos da FUNAI (Grupos Técnicos 0783/94 e 087/98)
sejam efetivamente demarcadas.
Estamos monitorando esta ação da
Aracruz Celulose e solicitamos aos Senhores que evitem o uso de
qualquer tipo de violência contra os indígenas que
estão apenas lutando por seu direito mais sagrado, o direito de
viver em comunidade, em sua própria terra.
Ai de vós, Aracruz Celulose, que expulsastes indígenas e quilombolas de seus territórios, destruindo a biodiversidade e transformando o estado do espírito santo num deserto verde.
Ai de vós que enganais camponeses e camponesas com seus discursos mentirosos, afirmando ser a salvadora da Pátria.
Ai de vós, governantes, ministros e secretários de estado que se dão ao luxo de defender os grandes projetos que produzem a morte dos campos e dos povos que ali habitam.
Ai de vós que se apropriam dos impostos do povo e redimensionam segundo os interesses dos que se dizem donos do capital.
Ai de vós magistrados que fazem das leis meios para defender os que se enriqueceram às custas do povo
Nestes dias, os deuses de todas as ancestralidades, presentes nos memoriais de todas as lutas e de todas as resistências, vivos nas vozes dos inocentes que clamam por terra, caça, pesca e frutos, estão unidos e louvando a cada pé de eucalipto decepado.
Nestes dias, todos os espíritos ancestrais estão abrindo picada adentro ao deserto verde e convocando todos os povos para o dia do grande combate.
Nestes dias todos e todas que se afirmam realmente brasileiros e estrangeiros que nos apóiam estão dizendo em voz uníssona: fora, aracruz, aqui não é seus lugar.
Nosso projeto é outro: não fala em concentração de terra, mas terra para todos que a querem para produzir comida; não fala em apropriação dos frutos do trabalho por parte de alguns, mas solidariedade, partilha e socialismo; não fala em monocultura de eucalipto, de soja, de algodão, de café, mas em biodiversidade. Nosso projeto fala em leis, em direitos, mas em dignidade, autonomia, respeito às diferenças dos povos, com seus diversos modos de vida, de produção de saberes, de afirmação de identidades. Neste nosso projeto só cabe o povo que se organiza, que não se deixa se revestir pelos sentimentos das elites, ou seja, desde mundo feito com tantos defeitos, sem cheiro de vida. Nosso mundo é feito de cheiro de mato, de água correndo, de milho espigando, de feijão florando, de arrozal cacheando, de casa humilde cheia de gente assanhada ao som da sanfona e da viola. O mundo que estamos fazendo vai destruir todos e todas que se negam abraçar a vida e o horizonte da liberdade; enfim, não cabe quem sega dialogar com o mundo e sentir que o mundo não cabe dentro da lógica do capitalismo.