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Auto-demarcação de Terras indígenas em Aracruz

Situação em Aracruz pode ficar tensa se a justiça não devolver as terras roubadas pela Aracruz Celulose das comunidades indígenas/quilombolas.
Tome uma atitude, envie uma carta pelos correios, ou internet, abaixo tem uma modelo. Copie e coloque seu nome. Não demora 30 segundos.
Neste final de semana deve ter uma vigília no local. Vamos participar. Breve mais informações.



Índios Tupinikim e Guarani iniciam a auto-demarcação de suas terras
 
Cerca de 500 índios Tupinikim e Guarani do município de Aracruz (ES) iniciaram na manhã desta terça-feira (17 de maio) a auto-demarcação das suas terras. Eles pretendem que o Ministro da Justiça Márcio Thomas Bastos garanta a demarcação dos 18 mil hectares de terras indígenas reconhecidas como tais por estudos conclusivos da FUNAI. Destes 18 mil, hectares, 11 mil ainda não foram demarcadas e estão nas mãos da multinacional Aracruz Celulose. O Ministério Público Federal do Espírito Santo encaminhou pedido, através do Procurador Geral da República Cláudio Fonteles, ao Ministro da Justiça, recomendando a ele a editar uma nova portaria de demarcação que garanta o direito dos Tupinikim e Guarani sobre os 18 mil hectares.
 
A comissão de caciques e lideranças Tupinikim e Guarani encaminhou uma carta aberta ao Ministro da Justiça, explicando os motivos da ação (segue abaixo). Declaram que Com este ato, queremos expressar para o Sr. e para todo o povo brasileiro, que as terras pertencem aos povos Tupinikim e Guarani, e devem ser devolvidas para construirmos o nosso próprio futuro, garantindo nossa liberdade e autonomia, e o futuro dos nossos filhos e netos.
 
Em solidariedade à ação dos índios, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) do Espírito Santo, junto com outras entidades, movimentos, igrejas e demais apoios, está mobilizando 400 pequenos agricultores para protestar na frente da fábrica da Aracruz Celulose, símbolo do agronegócio e do latifúndio no Espírito Santo e violadora dos direitos indígenas.
 

CARTA ABERTA DA COMISSÃO DE CACIQUES E LIDERANÇAS TUPINIKIM E GUARANI AO MINISTRO DA JUSTIÇA MÁRCIO THOMAZ BASTOS

 

 

Aracruz, 17 de maio de 2005

 

 

Exmo. Senhor Ministro da Justiça,

 

A Comissão de Caciques e Lideranças Tupinikim e Guarani vem manifestar o seguinte em relação à luta dos nossos povos pela demarcação integral das nossas terras:

1.       Em 1997, a FUNAI, através do Grupo Técnico 0783 de 1994, identificou 18.071 hectares como terras tradicionalmente ocupadas por nós, Tupinikim e Guarani. A complementação solicitada pelo ex-Ministro da Justiça Íris Rezende, bem como o relatório do Grupo Técnico 087 de 1998, confirmaram as conclusões do GT 0783/94.

  1. Apesar destes estudos, o ex-Ministro da Justiça, através das Portarias 193, 194 e 195 de 6 de março de 1998, decidiu, de forma inconstitucional,  pela redução da área indígena a ser demarcada de 18.070 para apenas 7.061 hectares. Em seguida, realizamos a auto-demarcação das nossas terras mas, após 8 dias, fomos reprimidos na nossa ação através de uma verdadeira operação de guerra da polícia federal, que fechou o acesso às aldeias, e nos levou para Brasília onde, sem o direito a assessoria e isolados das nossas comunidades, fomos obrigados a assinar um acordo com a empresa Aracruz Celulose, sob a ameaça de perder todas as terras, se não aceitassemos esta proposta.
  2. Consideramos este Acordo ilegal, já que através do mesmo tivemos que aceitar que a Aracruz continuasse a explorar 11.009 hectares das terras Tupinikim e Guarani, em troca de uma indenização em forma de projetos sociais, por um prazo de 20 anos. A ilegalidade da troca de terras indígenas por dinheiro foi confirmada pelo próprio Ministério Público Federal do Brasil que retirou sua assinatura do Acordo ainda no ano de 1998.
  3. No dia 19 de fevereiro deste ano, realizamos uma Assembléia Geral com mais de 350 indígenas de todas as sete aldeias Tupinikim e Guarani. Depois de uma profunda análise da situação dos nossos povos, decidimos, por unanimidade, lutar pela retomada de nossas terras, hoje ocupadas pela Aracruz Celulose. O Acordo não conseguiu resolver nossos problemas, ao contrário, tem nos causado ainda mais dificuldades, gerando dependência econômica, divisão entre as aldeias e enfraquecimento da nossa cultura. A morte da nossa cultura é a morte simbólica do nosso povo.
  4. No dia 31 de março, a Procuradoria Geral da República no Espírito Santo abriu Inquérito Civil Público 1.17.000.385/2005-75 para apurar irregularidades no processo de demarcação e homologação das terras Tupinikim e Guarani no Espírito Santo. Após análise dos estudos dos Grupos Técnicos da FUNAI, acima citados, e dos demais documentos, a Procuradoria confirmou essas irregularidades e encaminhou, no dia 12 de maio, para o Senhor, através do Procurador Geral da República, uma recomendação para declarar a nulidade das Portarias 193, 194 e 195 de 6 de março 1998, incluindo também os decretos homologatórios de 11 de dezembro de 1998. Ao mesmo tempo, os procuradores solicitam também que o Senhor edite novos atos de reconhecimento das nossas terras indígenas, totalizando o montante de 18.070 hectares, conforme as conclusões dos laudos antropológicos confeccionados pelos GTs 0873/94 e 087/98.

Na certeza da legitimidade e validade dos estudos do GT, e convencidos de que os 18.070 hectares de terras é direito dos povos Tupinikim e Guarani, tomamos a decisão de iniciar, no dia de hoje, a auto-demarcação das nossas terras.

Com este ato, queremos expressar para o Sr. e para todo o povo brasileiro,  que  as terras pertencem aos povos Tupinikim e Guarani, e devem  ser devolvidas para construirmos o nosso próprio futuro, garantindo nossa liberdade e autonomia, e o futuro dos nossos filhos e netos.

500 anos atrás cortaram as árvores que representam os povos e culturas indígenas; hoje, com nossa luta, voltam a brotar com força as raízes indígenas no Espírito Santo. Confiamos que o Exmo. Sr. decida, nos próximos dias, a favor do nosso direito, um direito garantido na própria constituição e que deve ser cumprido.

 

 

Comissão de Caciques Tupinikim e Guarani/ES



Caros amigos(as),

 

Queremos solicitar, a pedido da Comissão de caciques e lideranças Tupinikim e Guarani, sua colaboração para apoiar a luta dos povos indígenas Tupinikim e Guarani, no Espírito Santo, que tem como objetivo garantir a demarcação de 18.070 hectares de terras para estes povos. Destes 18.070 hectares, apenas 7.061 hectares foram demarcadas e homologadas em 1998,  através de uma portaria inconstitucional, assinada pelo ex-Ministro da Justiça Íris Rezende sob pressão do poder econômico da Aracruz Celulose. Com isso, 11.009 hectares de terras indígenas continuam desde 1998 no poder desta empresa, maior produtor do mundo de celulose de eucalipto.

 

Estamos solicitando que você mande uma carta ou envie um fax ao Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos,  que recebeu do Ministério Público Federal do ES, através do Procurador Geral da República Cláudio Fonteles, uma recomendação para editar novas portarias que garantam a demarcação de toda a área indígena Tupinikim e Guarani no ES, totalizando 18.070 hectares.

 

Pedido urgente:

 

Solicitamos também que você envie um fax para a Justiça Federal e a Polícia Federal no Espírito Santo, para prevenir uma intervenção policial que possa parar a auto-demarcação.

 

Seguem modelos de cartas/fax abaixo.

 

Já foi enviada para você uma edição especial do Boletim da Rede Alerta contra o Deserto Verde sobre a questão indígena com mais informações.

 

Por favor, divulgue esta informação para suas organizações, movimentos e redes!


  

Carta modelo para ser enviado ao Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos:

 

Exmo. Sr. Ministro da Justiça  Márcio Thomas Bastos

Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Ministério da Justiça, 4º. Andar

CEP 70064.900- Brasilia- DF

Brazil

Fax +55 61 2244784

Correio eletrônico:

Prezado Sr. Ministro,

 

Através desta, queremos expressar nosso apoio à luta dos povos indígenas Tupinikim e Guarani no Espírito Santo pela demarcação das suas terras, invadidas no passado pela empresa Aracruz Celulose. São 18.070 hectares de terras indígenas a serem demarcadas, conforme laudos antropológicos dos GTs 0783/94 e 087/98.

Os direitos dos povos indígenas sobre suas terras são garantidos na Constituição brasileira e também por diversos tratados e convenções como a Convenção 169 da OIT. Mesmo assim, o ex-Ministro da Justiça, Íris Rezende, não garantiu este direito no caso dos Tupinikim e Guarani e demarcou, em 1998,  de forma inconstitucional, apenas 7.061 hectares, deixando 11.009 hectares em mãos da Aracruz Celulose, desconsiderando os estudos conclusivos dos GTs da FUNAI.

Damos total apoio à luta legítima dos Tupinikim e Guarani e solicitamos ao Senhor que atenda as recomendações feitas pelo Ministério Público Federal no sentido de editar novos atos de reconhecimento das terras indígenas Tupinikim e Guarani no Espírito Santo, totalizando 18.070 hectares, conforme as conclusões dos GTs 0783/94 e 087/98 da FUNAI.

 

Atenciosamente,

 


 

 Carta modelo à Justiça Federal e à Polícia Federal no ES

 

Sr. Superintendente da Polícia Federal

Geraldo Antônio Dias Guimarães – DPF

FAX: +55 27 33318030

Justiça Federal de 1a. Instância de Vitória (ES)

Juiz Federal Mr. Ronald Kruger Rodor

FAX: +55 27 33314090

Correio eletrônico: cs.sres@dpf.gov.br

Tomamos conhecimento da ação judicial da empresa Aracruz Celulose (ação 2005.50.01.004524-1) contra a FUNAI em reação à ação de auto-demarcação dos indígenas Tupinikim e Guarani de 18,070 hectares de terras indígenas.

Queremos solicitar seu apoio para a auto-demarcação dos Tupinikim e Guarani e  alertar os senhores que a ação dos indígenas é legítima. O objetivo é garantir que esses 18,070 hectares de terras Tupinikim e Guarani, já reconhecidas como tais em conclusivos estudos da FUNAI (Grupos Técnicos 0783/94 e 087/98) sejam efetivamente demarcadas.

Estamos monitorando esta ação da Aracruz Celulose e solicitamos aos Senhores que evitem o uso de qualquer tipo de violência contra os indígenas que estão apenas lutando por seu direito mais sagrado, o direito de viver em comunidade, em sua própria terra.

 

Atenciosamente,




Companheir@s,
Nesse momento de luta, nada como compartilhar a poesia do nosso companheiro Derli Casali, do MPA/ES, grande defensor da luta indígena, quilombola e campesina.
Abraços,
Geise
 

 Ai de vós

 

Ai de vós, Aracruz Celulose, que expulsastes indígenas e quilombolas de seus territórios, destruindo a biodiversidade e transformando o estado do espírito santo num deserto verde.

Ai de vós que enganais camponeses e camponesas com seus discursos mentirosos, afirmando ser a  salvadora da Pátria.

Ai de vós, governantes, ministros e secretários de estado que se dão ao luxo de defender os grandes projetos que produzem a morte dos campos e dos povos que ali habitam.

Ai de vós que se apropriam dos impostos do povo e redimensionam  segundo os interesses dos que se dizem donos do capital.

Ai  de vós magistrados que fazem das leis meios para defender os que se enriqueceram às custas do povo

Nestes dias, os deuses de todas as ancestralidades, presentes nos memoriais de todas as lutas e de todas as resistências,  vivos nas vozes dos inocentes que clamam por terra, caça, pesca e frutos, estão  unidos e louvando a cada pé de eucalipto decepado.

Nestes dias, todos os espíritos ancestrais estão abrindo picada adentro ao deserto verde e convocando todos os povos para o dia do grande combate.

Nestes dias todos e todas que se afirmam realmente brasileiros e estrangeiros que nos apóiam estão dizendo em voz uníssona: fora, aracruz, aqui não é seus lugar.

Nosso projeto é outro: não fala  em concentração de terra, mas terra para todos que a querem para produzir comida; não fala em apropriação dos frutos do trabalho por parte de alguns, mas solidariedade, partilha e socialismo; não fala em monocultura de eucalipto, de soja, de algodão, de café, mas em biodiversidade. Nosso projeto fala em leis, em direitos, mas em  dignidade, autonomia, respeito às diferenças dos povos, com seus diversos modos de vida, de produção de saberes, de afirmação de identidades. Neste nosso projeto só cabe o povo que se organiza, que não se deixa se revestir pelos sentimentos das elites, ou seja, desde mundo feito com tantos defeitos, sem cheiro de vida. Nosso mundo é feito de cheiro de mato, de água correndo, de milho espigando, de feijão florando, de arrozal  cacheando, de casa humilde cheia de gente  assanhada ao som da sanfona e da viola. O mundo que estamos fazendo vai destruir todos e todas que se negam abraçar a vida e o horizonte da liberdade; enfim, não cabe quem sega dialogar com o mundo e sentir que o mundo não cabe dentro da lógica do capitalismo.

 

Derli  Casali  - MPA


http://anarkopagina.org/noticias/auto-demarcacao.aracruz.html
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