Índios(as)
Ocupam Aracruz Celulose, Maior Fábrica de Celulose Branqueada do
Mundo
Cerca de 300 índios(as)
tupinikins e guaranis, entre eles(as) crianças, ocuparam, nesta
quinta-feira, 06, as três fábricas da Aracruz Celulose
S/A, em Aracruz, ES. O setor admistrativo foi todo paralizado. A
produção ainda não foi parada, mas se não
houver uma negociação, esta hipótese não
está descartada, embora eles não dizem exatamente quais
serão as estratégias.

A ocupação foi para exigir a
devolução dos 11 mil hectares de terras roubados pela
Aracruz numa manobra política e sob pressão policial. A
área faz parte dos 18 mil hectares já reconhecidos pela
Funai através de laudos antropológicos desde 1998. Desse
montante, cerca de 7 mil hectares já foram devolvidos.
Para dar apoio a justa causa índigena, um ônibus com
estudantes, entre eles 10 noruegueses(as), saiu da UFES. O plano era
chegarmos juntos, mas, devido ao atraso, chegando ao local, eles
já tinham ocupado. Não houve grande resistência,
uma vez que foram pegos de surpresa. Tanto os seguranças
particulares da empresa quanto os PMs, cerca de 10 no início,
não esperavam essa atitude. A convocatória para o ato foi
totalmente sigilosa. Mas a polícia deve ter ficado sabendo
apenas que iria ter uma manifestação em frente a
fábrica. começaram a chegar mais carros da PMs que foram
barrados de entrar. Isso não impediu que a cumpricidade do
estado se manifestasse. A PM entrou por outro portão.
A cumpricidade entre a PM e a Aracruz é tão grande que no
caminho entre Vitória e Aracruz, depois de Jacaraípe, um
carro da policia militar, com apenas 2 PMs, parou o ônibus
perguntando descaradamente se íamos para
manifestação contra a Aracruz. O PM chegou ao absurdo de
dizer que nenhum manifestante passaria por ali e poderíamos
processar quem quizéssemos, pois ele tinha ordem superior para
tal atitude. Nós, depois dessa deixa e com cara-de-pau maior
ainda, dissemos que íriamos para um churrasco nas belas prais do
norte. Não sei se eles acreditaram ou não estavam afim de
trabalhar ou de arrumar confusão que deram apenas uma olhadinha
pela porta do ônibus e depois de um breve bate-papo, pediu os
documentos e liberou.
A produção de celulose de eucalípto é uma
conseguência do consumismo desenfreado dos países do
"mundo civilizado", também chamado primeiro mundo. Enquanto nos
EUA se consomem 350 kg de papel por pessoa por ano, no Brasil, um dos
maiores produtores, o consumo é de 50 kg. 97% da celulose
branqueada é exportada para produzir, quase exclusivamente,
papel descantável para o "mundo civilizado". A coroa da Noruega,
juntamente com o Grupo Safra, são os maiores acionistas da
Aracruz, 28% cada. A luta indígena não pode ser vista
apenas como uma luta pela terra. Ela é, antes de tudo, uma luta
pela vida.

Interesante notar
que a Noruega foi recentemente considerada o pais com a melhor
qualidade de vida e a melhor distribuição de renda do
mundo. Industrias poluentes lá praticamente não existem.
Lá monocultura não existe, aqui eles deitam e rolam com
monocultura indiscriminada de eucalípto. Estão
interessados em lucro fácil e se passar por defensores do
maio-amnbiente em seus países, trazendo as índustrias
poluentes para os países em desenvolviemnto.
O Planeta já está dando
a sua resposta contra a destruição do meio-ambiente.
São furacões cada vez mais devastadores nos EUA, os
ciclones, que nunca existiram agora chegam ao Brasil, entre outros
exemplos. Nós, também temos que dar nossa resposta.
Escreva para o Ministro da Justiça (carta abaixo).
A imprensa, cumprice do capital privado, dá notícias
distorcidas. O noticiário se reduz a dizer que houve
invasão e falta de respeito a propriedade privada. Mas isso nem
deve-se levar em conta pois dizem que a Rede Gazeta, filiada da Globo,
é o departamento de comunicação da Aracruz,
tamanha é a cumpricidade.

Este dia, que vai
entrar na história, já está tendo suas
repercussões! Os estudantes noruequeses, que a alguns dias
atrás não sabiam das verdadeiras intenções
dos investimentos que seu país fazia no Brasil, se interessaram
pela causa e já estão traduzindo material para divulgar
na Noruega. Inclusive uma das estudantes já recebeu apoio da
Aracruz, lá na Noruega, sem saber as verdadeiras origens. A
coroa norueguesa lançou uma nota na imprensa dizendo que os
estudantes não estavam lá apoiando o movimento
e foram levados sem saber de nada. Hoje, sexta, pela
manhã, repórteres noruegueses já ligaram para a
FASE e foram colocados em
contato com os estudantes para que estes relatem a verdade!
Os índios aguardam para que o Ministro da Justiça edite
Ato de reconhecimento das terras. Desde março deste ano foram
várias cartas enviadas para o Ministério sem nenhuma
resposta positiva. Envie sua mensagem também.
MONOCULTURA DE EUCALÍPTO NÃO É FLORESTA!
NÃO A INVASÃO VERDE, NÃO AO DESERTO VERDE!
Lima Bliset (correio eletrônico limabliset em gmail.com)
Veja mais fotos aqui.
Vejam a ridícula nota da empresa: http://www.aracruz.com.br/web/pt/imprensa/noticias/noticias149.htm
Enviem msg também para a Aracruz Celulose deixar de ser gananciosa: aracruz@aracruz.com.br
A monocultura, a Aracruz Celulose e os quilombolas do Espírito Santo